Minha história começa quando saí do Brasil a 8 anos e fui parar nos Estados Unidos, mais precisamente no Kansas, trabalhei em uma pequena fazenda onde recolhia feno, plantava milho e tratava dos animais no seleiro…eu com macacão azul numa pick up ford 1970, uma 12 cano duplo punheteira embaixo do banco. Dirigia sempre até Pequenópolis para fazer compras no mercadinho do Waine, onde tinha uma conta por mês…eu adorava abrir aquelas portas com sininho “trilim trilim”, nossa.
Fiz amizade com os Kent uma família muito gente boa de lá, e que tem um filho chamado Clark, um porra louca diga-se de passagem. Comentávamos sobre coisas que um tal de Lex andava fazendo contra a propriedade deles e coisa e tal…ou me contavam sobre fatos esquisitos que ocorreram logo após uma chuva de meteoros ter caído anos atrás antes de eu chegar.
Adorava tomar limonada em uma barraca montada pelas crianças do colégio no dia de Ação de Graças, ver o desfile anual na única avenida de Pequenópolis.
Aaaaahh, como era bom me sentar a varanda e ver por trás das montanhas os fogos explodindo na cidade no 4 de julho.
Logo fui descoberto pelo FBI, e a Imigração caiu com os dois pés e que outrora já havia me sondando, em minhas idas a Pequenópolis. Me intimaram para depor e ver minha real situação no País, onde por meu descuido “oh my god” estava clandestino a 4 years… que triste my life, meu sonho seria destruído
Por um simples documento falso que fiz em Nova York quando cheguei aos Estados Unidos, malditos, me passaram pé…me juravam que era o tal Green Card, isso só “amarelou” minha vida isso sim.
Teria eu então uma noite apenas para sair do País…eu apavorado, fui a casa dos Kent e pedi ajuda, já que meu tempo era mínimo. Clark acabara de chegar, estava mudando alguns pastos de lugar para o pai, era um mansebo muito forte.
Logo pedi sua ajuda, e ele logo se prontificou, pois me devia uma…pois defendi ele em uma briga na cidade, se não chego na hora Clark teria morrido, cuzão.
Então pedi uma carona para Clark, que me levou nas costas correndo mais rápido que a luz até Nova York, até então não sabia que corria tanto o jovem rapaz.
Clark até aproveitou que estava lá e comentou meio por cima que ia visitar um amigo que morava lá e tinha sido picado por um inseto, e estava meio mal…um tal de Peter P…. não me recordo.
Poxa, estava eu em Nova York, com alguns trocados da colheita passada, com umas roupas velhas na mochila e perdido na Big Apple.
Consegui um “muquifo” no Bronks, onde o cara que me alugou jurava ser seguro, cômodo e limpo. Trabalhava na madrugada no porto de Manhatan descarregando e limpando peixes que chegavam em um navio chinês. Durante o dia me vestia com uma roupa amarela de palhaço e cabelo vermelho em uma rede de fast-food que me forçava a dizer I’m Lovin’ it!
Minha vida seguiu por alguns anos, a Imigração me deu um tempo e tudo estava caminhando numa boa, numa boa até o dia que conheci um cara chamado Muhamed Al Mahak, chamado carinhosamente por mim como “Memed”que dava um trampo comigo lá no porto e coisa e tal, a personalidade dele era muito explosiva, mas era meu amigo e eu levava de boa.
Ele morava comigo, no apartamento do lado…as paredes eram finas e a noite eu o escutava aos berros ao telefone…Ele sempre me dizia que algo ruim iria acontecer, e que só dependendia de um americano…não entendi, diziam sobre um acordo de paz.., aff viajera dos caras… mas numa dessas conversas reparei que ele chamava o cara do outro lado de Bin…Binho..sei lá….vai saber…enfim…. eramos bons amigos.
Um dia perguntei a Memed o que realmente havia nas ligações dele para com seu povo e coisa e tal. Memed me explicou que havia um amigo Afegão e um Americano que estavam brigando muito, o Americano estava devendo uma grana e ainda por cima ofendeu o Afegão.
Memed dizia que estava de mediador na parada…que se as coisas não resolvesem iria ligar para o seu amigo Afegão que iria pegar feio o Americano.
Mas Memed me revelou que tudo havia dado certo, e que os dois fizeram um acordo e que isso havia acabado e que falaria hj com seu amigo para dizer se o americano tinha ou não cumprido a promessa.
Mais tarde resolvemos pedir uma pizza, então Memed ligou para pizzaria do Joe e falou com um homem muito gentil que o atendeu prontamente. Na hora do telefonema Memed começou a sentir uma imensa dor de barriga, e nisso acelerou o pedido, estava realmente apertado e pronto para “explodir”. Memed começou a pedir rápido, pediu mussarela, presunto, espinafre, brócolis, azeitonas, coca-cola e tudo mais… Eu estava voltando da cozinha, havia ido tomar água. Já borrando as calças Memed me diz vermelho e suando “Toma! Finaliza o pedido!” e jogou o telefone em cima do sofá, eu peguei o telefone e estava mudo…sem entender coloquei o telefone no gancho. Logo em seguida toca o telefone, uma voz grossa dizia “Finaliza?” o Joe devia estar resfriado ou coisa do tipo e eu rapidamente disse “Sim, demorÔ” e desliguei…
Naquela noite, nunca entendi o porque que a pizza nunca veio, e porque Memed estava tão ansioso por uma ligação. Enfim, no dia seguinte estávamos no porto como de costume e vimos dois aviões se chocar com as Torres do WTC…Estávamos sendo atacados, de todos os lados. Um dia que nunca mais esquecerei, pois a policia americana começou a fazer um arrastão, e o que rodou de latino, chinês, afegão e indiano não está escrito.
Eis que caio novamente nas mãos da Imigração, logo fui expulso de lá, e hoje estou morando aqui em São José do Rio Preto, conheci a publicidade e propaganda, comecei a estudar, tive que trancar a faculdade por alguns motivos mas trabalho desde então em uma agência da cidade. Ainda troco cartas com Memed que também voltou pra casa e hoje toma conta de um rebanho de camelos e possui 19 mulheres e 49 filhos homens, sendo dez deles participando do esquadrão de Alá, outros dez são pilotos da American Air Lines, 2 trabalham na fazenda dos “Kent” por indicação minha, e 7 trabalham em uma casa de fogos em Pequenópolis.
Fim!
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Você guerreiro. valeu men o prazer axé da bahia.
Por: zezinho oliveira em fevereiro 2, 2009
às 12:42 am